O estado do ensino em Portugal por Nuno Crato


Intervenção do Prof. Dr. Nuno Crato sobre o tema “Educação: pela exigência, o mérito e o direito de escolha”, inserida no Ciclo de Conferências de iniciativa do PSD, “Fórum Portugal de Verdade”. Esta Conferência realizou-se na Cidade de Aveiro, em 16 de Abril de 2009, a ela assistiram 600 pessoas.

httpv://www.youtube.com/watch?v=WBOPbcXBrp0

Vem a propósito lembrar o que disse em 14 de Fevereiro sobre o princípio que deve assentar a avaliação de desempenho . Goste-se ou não é uma boa ideia a seguir.

A única Avaliação que faz sentido

… passa por medir a evolução média do conhecimento dos alunos tendo como ponto de partida o início do ano escolar e como ponto de chegada o término do mesmo.

Tudo o resto é folclore.

16 comentários a “O estado do ensino em Portugal por Nuno Crato”

  1. Arlindo, como? Fazendo-se exames todos os anos, a todas as disciplinas? Achas isso viável, razoável? E onde ficam as Expressões no meio disso tudo? Fazem exames a EV e EVT, por exemplo?

    1. Concordo com tudo o que Nuno Crato disse nesta comunicação.Espero que, como ministro o aplique. Quanto aos colegas que ficam tão ” assombrados ” com exames nos diversos ciclos a todas as disciplinas é porque são demasiado jovens e inexperientes.Estou ainda no activo e quando comecei a minha acctividade existiam exames nacionais a todas as disciplinas. A Educação visual também. Qual é o problema? Nessa altura chamava-se Desenho. O facilitismo e a falta de profissionalismo e rigor têm de acabar.O que se tem vivido nestes últimos anos é imoral e insultuoso para a dignidade dos que foram e querem continuar a ser bons profissionais.

    2. As disciplinas de expressões deveriam ter exames, isto se querem manter o estatuto de disciplinas. Não creio que os alunos beneficiem de EV, de EVT ou de Música se estas disciplinas forem reduzidas a espaços para entreter meninos, sem qualquer exigência de esforço ou de rigor, eternamente comparadas com Língua Portuguesa e Matemática.

      1. Sou professora de Música e creio que os exames a todas as disciplinas viriam resolver muitos problemas. Enquanto houver apenas algumas disciplinas a serem alvo de exame, as outras continuarão a ocupar um lugar inferior numa hierarquia criada pelos próprios agentes educativos, dentro e fora da escola. Essa hierarquização de disciplinas reflete-se diretamente em tudo, desde o Projeto Educativo até à forma como os horários são concebidos, passando pelo tempo que os alunos dedicam em casa ao estudo de cada disciplina.

        Todos somos responsáveis pelo nosso trabalho. Todas as disciplinas têm o seu programa e os seus conteúdos. A Música é uma disciplina como outra qualquer. Como tal, se vier a ser alvo de exames, eu serei a primeira a bater palmas.

  2. Do ponto de vista das aprendizagens, do exercício docente e da transparência e confiança na classe para executar as suas funções é muito acertado o seu discurso. Se rebaterem o seu discurso e o aplicarem ao concurso nacional e á carreira dos professores, não verão nada de promissor nestes campos. Temo pelo futuro. Será que só eu estou a interpretar assim?
    Uma coisa é dar poder aos docentes para executarem o seu trabalho na sala de aula. Tudo certo. Outra bem diferente é dar poder ás direcções das escolas ou aos municípios para lá colocar os seus amigos.

  3. Exames de EVT sim, mas antes disso acabar com a flexibilidade do programa de EVT. Então sim é possível e desejável que hajam exames.

  4. Centro-me na parte final da mensagem: medir o “avanço dos alunos”.

    Será mesmo a melhor forma de avaliar? É que se pode facilmente tornear a avaliação neste caso: começa-se por atribuir 2 a toda a gente, depois o 3/4 e por fim o 5. Desde que seja a subir ninguém contesta…

    Fazer 3 exames, em 3 momentos distintos, a cada disciplina não é viável, logo não se pode comparar resultados de forma segura.

    Põe-se outro caso: se a minha turma tem muitos alunos de nível 5 como vão evoluir?

    Outra avaliação sim, mas esta não sei se é possível. Mas estou disponível para a discussão, assim é que avançamos!

    Abraço!

  5. O problema é que Nuno Crato só quer substituir um eduquês por outro. Critica, e bem, quem teve a ousadia de querer vergar os professores, mas, infelizmente, porque, na sua ideia, o que é preciso vergar são os alunos. Espero que faça mais e melhor do que o que diz.
    Na verdade, as medidas que propõe são tão válidas como as que a Maria de Lurdes propunha, só que nem as dele nem as da outra se aproximam sequer do problema nuclear da escola como organização. O desafio não é vergar indivíduos (alunos ou professores), mas endireitar a escola.

  6. É necessário ter em conta que no anterior governo recheado de peripécias os professores foram obrigados a fazer duas mega manifestações não só pela imposição da avaliação burocrática e desactualizada , discordância com sindicatos , algum diálogo em que o ministério se opunha de forma aguerrida ao que lhe era proposto ,mas também pelas ministras tão polémicas que causaram tantos descontentamentos.´ A massificação do ensino é uma realidade no nosso país o que implicou a prática de um certo facilitismo , dado que era preciso passar para se demonstrar que há sucesso e imprimir às estatísticas dados que nos colocassem numa posição mais favorável. Quando se compara colégios com ensino público a realidades são diferentes . As escolas públicas existentes principalmente nas grandes cidades são frequentadas por alunos oriundos de bairros com grandes diificuldades socio- económicas em que lei do menor esforço prevalece. Qualquer professor mesmo que se esforce e que chame a atenção do aluno para não ouvir música, telemóveis, falatório etc. pode servir como pretexto de discussão, por vezes até de agressões , sendo a posição do professor posta sempre em causa . Normalmente a queixa quando chega ao director, este por sua vez procura tomar partido do aluno seguindo-se os pais que vêm com argumentos suficientes para defenderem o filho descarregando sobre o professor toda a sua ira. Com o arrastar dos tempos o ME pôs em prática a filosofia de Rousseau dando-se azo ao facilitismo , laxismo em que os alunos pouco ou nada respeitam são o centro das atenções e os pais se consideram donos da escola. As escolas técnicas e profissionais deviam ser equacionadas de uma forma séria ,mais abrangentes pelo valor que representam e também como viabilidade ao ensino teórico .A culpabilização de todos os males do ensino , serviam de depreciação,hostilização e ressentimentos , os quais incidiam sobre os professores e não correspondiam à realidade. As agressões entre alunos às quais não se dava a devida atenção que degeneraram em situações graves e que atormentam tantos pais ,bem como de alunos e pais em relação aos professores devem ser severamente reprimidas. O anterior governo em que o mediatismo ocupava um lugar primordial insistia na avaliação dos professores em que pretendia usar medidas drásticas , o que provocava contestações , visto que não havia razões para que assim se procedesse. Aos alunos tudo era permitido quando deviam ser estes os verdadeiros avaliados. Mesmo a eleição para directores das escolas devia ser feita noutros moldes que servisse melhor os interesses desses estabelecimentos e daqueles que os frequentam.Novas oportunidades muito facilitismo fianalizando em tempo recorde com cerimónia, entrega de diplomas mas sem qualificação. É preciso que haja normas equilibradas , que credibilizem o sitema educativo e que se ponham a máquina a funcionar, sem que se apliquem os cortes cegos. Não é em casa que os professores licenciados contribuem para o desenvolvimento do país .Com competência que lhe é sobejamente conhecida Exa. na qualidade de Ministro da Educação que irá ter uma tarefa pesada ,mas que tudo fará para bem zelar os interesses da educação de Portugal e dos portugueses. Desejo-lhe as maiores felicidades.

  7. Já tivemos muitos governos e muitos ministros da educação…
    Poucos com um pensamento coerente e visão do futuro…— remendo aqui, reforma ali,…
    — e chegamos a este ponto com um ministério que é um monstro a criar monstuosidades…,—reuniões, actas, papeis e mais papeis–uma burocracia infernal altamente desmotivante, castrante, paralisante, sufocante… Louvo aqui os professores, vrdadeiros resistentes.
    Além de algumas posições do novo ministro que só conheço por alguns debates na TV, posso inferir que iremos ter não mais um ministro dos assuntos correntes, só a complicar, mas um ministro com ideias, com uma filosofia e com um projeto coerente e se possível com acordos alargados a dez ou mis anos.
    Prevejo uma 5 de Outubro com todas as direções gerais e regionais muito mais pequena, mas muito mais, que deixe trabalhar e incentive com medidas simples e simplificadoras os professores, os alunos, em suma toda a população escolar. Com currículos mais simples e mais atualizados, adaptados às idades, e ás várias regiões …
    O enfoque não pode ser na avaliação que é importante, mas na excelência, no mérito, na inovação, no saber fazer, no empreender. Julgo muito redutor só a avaliação dos conteúdos e ainda mais redutor a avaliação de crianças, sem um conhecimento profundo do seu desenvolvimento. Atrevo-me a dizer que

  8. Atrevo-me a dizer que só devíamos avaliar crianças depois de avaliarmos os adultos, pais ,professores, ministros, diretores, pais… O que acontece é que ninguém é avaliado. Os melhores não são escolhidos.O mérito não é reconhecido. E portanto os ” Presidentes”/”Diretores” fazem o que querem mesmo contra as leis do País e nada lhes acontece. Exemplos?
    Aí vai um: — às 3 da manhã um desses “diretores/presidentes” ameaça um professor que tinha reprovado 4/5 alunos. Ou dás nota a fulana ou faço-te a vida negra e tens de fazer isso logo ao abrir a escola…
    outro exemplo? Lá vai ele: desses “dir/presidentes” que subiram por “mérito” e a quem nós estamos entregues, não gostou de qualquer atitude dum professor, ou até acordou mal disposto, e por “mail” dá ordens— ao prof. x só pode ser atribuido meio horário. E mesmo que os alunos estejam a pagar propinas e sem aulas , não faz mal.
    Assim esses “presidentes /diretores” atingem dois ojectivos castigam o professor com

  9. Assim esses “directores/presidentes” atingem vários objectivos, castigam o professor e os alunos ao mesmo tempo “a bem da nação”.
    Mas para cúmulo disto tudo, estes ” senhores”, com amigos nos partidos, falsificam documentos, o ministro sabe ou soube, e nada.
    Com este Ministro estou convencido que as coisas vão mudar . Vai pôr ordem na casa, correr com quem não tem mérito, castigar os fora-de-lei, dar valor a quem o tem, colocando na casa mobília nova, mais simples e mais eficiente.

  10. Mas como será que os professores e outros demais comentadores que por aqui passam, imaginam que as mudanças em qualquer área da educação se fazem?
    Pelos comentários que li, parece que pensam que há algum iluminado que, do alto da sua cadeira do poder, decide um belo dia fazer exames a todas as disciplinas.
    Pois se pensam, pensam mal!
    Infelizmente, o eduquês de que tanto se fala (sem contudo muito dele se saber) existe. E existe, não porque esteja definido em leis ou em programas curriculares, mas porque continua a haver maus professores (como em todas as profissões, há bons e maus profissionais) que reduzem ao pó essas orientações por não terem capacidade de aprender ou de se adaptar.
    Aliás, para quem não sabe, todas as reformas e todas as revisões curriculares têm sido sustentadas em investigação credível e fiável. Hoje em dia basta um pequeno clique para se encontrar uma lista imensa de estudos nacionais e internacionais sobre a escolaridade obrigatória, os exames, o reprovar de ano, os 90min ou os 45min, e tantos outros assuntos.
    Pergunto: quantas publicações tem o nosso novo Ministro da Educação, na área da Educação, em revistas nacionais (que não a sua) ou internacionais com referee? O seu CV anda está online… só fica cego quem não quer ver!

  11. Este senhor parece-me ser um grande e autêntico demagogo.
    Tem um currículo que pode impressionar incautos, mas esse currículo não chega.
    Vejam só:
    Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (2004/2010);
    Presidenteda Assembleia Geral do Centro Internacional de Matemática;
    Professor de Matemática e Estatística do ISEG;
    Doutorado em Matemática Aplicada nos Estados Unidos da América;
    Premiado com o Primeiro Prémio do concurso Público Awareness of Matematics com um trabalho de divulgação;
    Membro de várias sociedades científicas.
    Ele, sim, é um grande “teórico”, que ainda não saiu dacátedra onde tem estado.
    Com este currículo faz um discurso apalhaçado, com o devido respeito pelos Palhaços? Que raio de plateia era aquela que bate palmas a tiradas “anedóticas”?
    Espero para ver como descalça a bota. Apresente trabalho e deixe-se de conversas.
    RES NON VERBA

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