A primeira coisa a lembrar a este governo


Não vou por enquanto fazer uma análise exaustiva às medidas para a área da Educação que este governo deve seguir, algumas ideias estão em posts anteriores e posso um dia destes voltar a enfatizar algumas delas, se calhar ideias um pouco liberais mas que podem ser exequíveis e muitas delas até interessantes.

O que quero lembrar hoje foi o caminho que aconteceu recentemente para ter havido eleições e neste momento PSD e CDS se prepararem para ser governo com maioria parlamentar.

A principal razão foi a desastrosa governação socialista da XI legislatura mas que por si só não teria permitido o chumbo do PEC IV se a oposição não tivesse ganho força para o fazer.

E esta força foi iniciada no dia em que o parlamento chumbou as alterações curriculares que tinha entrado em vigor com o Decreto Lei 18/2011. A manifestação da geração à rasca também serviu depois para ampliar essa força.

O início da história deste chumbo começou no dia 7 de Dezembro com a publicação em primeira mão do Projecto de Lei das alterações curriculares. Este documento tornou-se o rastilho para a explosão parlamentar que ocorreu no dia 4 de Março com a suspensão das alterações curriculares entretanto publicadas no dia 2 de Fevereiro.

Se no início de Dezembro tinha a inocente certeza que o Conselho Nacional de Educação travaria as mudanças previstas no projecto inicial deixei de acreditar quando cedo me apercebi que as questões orçamentais não impediriam o avanço do Decreto-Lei tal qual estava apresentado. Nessa altura fui aconselhado a tratar da minha vidinha (não digo por quem por respeito e alguma admiração por quem o disse).

A partir desse dia começei a tratar da minha vidinha, sim.

Conheci algumas pessoas que andavam perdidas e tinham o sentimento que se devia fazer alguma coisa mas que não sabiam ao certo o quê, muitas delas desistiram e sentiram que a eliminação do par-pedagógico na disciplina de EVT era um facto consumado e abandonaram a luta, muitos outros não. Durante o mês de Janeiro aconteceu algo novo que acendeu a chama para uma tentativa de ser travada a medida que o governo de Sócrates quis impôr apenas para amealhar uns trocos, o encontro de professores de EVT que se realizou no dia 15 de Janeiro. Neste dia alguma esperança renasceu, mas que pouco depois se desvaneceu com a publicação no dia 2 de Fevereiro do referido Decreto-Lei.

Alguns resisiram e dia 8 de Fevereiro a APEVT esteve presente na audição com a Ministra da Educação com o apoio de alguns sindicatos de professores (FNE, FENPROF e SIPE), também fui.

Percebeu-se nesse dia que haviam resistentes e que podia ser possível reverter a situação. O meu post de esperança aconteceu no dia 27 de Fevereiro, quando um pequeno grupo de “malta bestial” se juntou e lutou até à última cartada e marcou presença no encerramento do congresso dos TSD que se realizou na Régua e que tinha presente no seu encerramento Pedro Passos Coelho e também lá estive.

Dia 4 de Março o parlamento aprova a suspensão do Decreto-Lei 18/2011. Dia 12 de Março realizou-se a Manifestação da Geração à rasca. Dia 23, foi publicada a suspensão do Decreto-Lei 18/2011 e nessa noite Sócrates apresenta a demissão.

Posto isto, quero apenas lembrar que quando foi tentado pelo PS a eliminação do par-pedagógico na disciplina de EVT houve quem se soubesse mexer de tal forma que precipitou (como diz o outro, uma crise política) a queda de todo um governo incompetente que nunca soube dialogar e mostrar a necessidade desta mudança em conjunto com os professores.

A necessidade de diálogo e da concertação com os actores para mudança são essenciais para que ela aconteça.

Se tal não acontecer, NUNCA SERÁ POSSÍVEL A MUDANÇA.

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