Deputados vão à escola…


… para ver que aulas de EVT têm de ter dois docentes

Professores tentam provar que o corte implicará acabar com a disciplina no ensino básico
 
Uma aula de Educação Visual e Tecnológica (EVT) não tem nada de convencional. Os miúdos sobem em cima das cadeiras e das mesas, não param quietos, mas não se pode dizer que sejam mal comportados. Construir gigantones de meio metro de altura com tiras de cartolina, folhas de jornal, cola e agrafos é tarefa que não se faz sentado e muito menos com as mãos nos bolsos. O trabalho exige a coordenação de toda a equipa e vigilância constante de Carlos Charrua e Cristina Freire, os dois professores da Escola Básica Francisco Arruda, em Lisboa, que saltitam de mesa em mesa, corrigindo os alunos que se organizaram em cinco grupos.

Um professor não chega, são precisos dois para por ordem na sala. Foi isso que a Associação Nacional de Professores de EVT quis demonstrar ao desafiar ontem os deputados da comissão parlamentar de educação a assistir a uma aula onde lápis, cadernos e manuais escolares são substituídos por tesouras, agrafadores ou x-actos. José Manuel Rodrigues e Michael Seufert (do CDS-PP) e Miguel Tiago (PCP) aceitaram o convite e estiveram na Escola Básica Sophia de Mello Breyner Andresen (Amadora). Ana Drago, do Bloco de Esquerda, esteve na Escola Francisco Arruda, em Alcântara. Foram ver de perto como é o trabalho destes professores que desde o início do ano tentam provar que a ministra da Educação não tem razão quando quer reduzir o número de docentes de Educação Visual e Tecnológica.

No início deste mês, a oposição suspendeu o decreto-lei que extinguia a Área Projecto, limitava do estudo acompanhado só para os alunos com dificuldades ou acabava com os pares pedagógicos na disciplina de EVT. Mas essa medida não chega para sossegar os professores, até porque a ministra Isabel Alçada “já disse por diversas vezes que não vai desistir de implementar as alterações curriculares, justificando que em causa está uma despesa de 43 milhões de euros”, avisa Ana Drago.

E, por esta razão, os professores insistem em mostrar o seu ponto de vista. Não é só porque estão em risco cerca de sete mil postos de trabalho, esclarecem, mas porque a disciplina só com um professor passa a ser “outra coisa qualquer” que não EVT. “Teríamos de deixar de lado os trabalhos que implicam construções ou uso de instrumentos perigosos e transformar a disciplina em aulas de mera observação e desenho”, conta Carlos Charrua. K. C.

Imagens da aula de EVT assistida pelos deputados do CDS-PP e PCP

Imagens da aula de EVT assistida pela deputada Ana Drago, do BE

Comunicado APEVT de 16 de Março (Com texto de apoio e a contextualizar as actividades e visita, com fotografias)

2 comentários a “Deputados vão à escola…”

  1. Caro Arlindo:

    Tens as mesmas fotos nos dois ficheiros. A Ana Drago não aparece😉

    Bom trabalho o que tem feito, não só por EVT mas por todos.

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