POSIÇÃO da CONFAP sobre AVALIAÇÃO dos ALUNOS do ENSINO SECUNDÁRIO


Concordo com algumas das posições assumidas pela CONFAP, inclusivé sobre a nota de Educação Física ter uma ponderação diferente para o acesso ao ensino superior, mas não concordo que ela não conte. Também considero que as notas que existem são para atribuir em qualquer período. Os meus níveis de cinco foram entregues a quem os mereceu.

 

 

 

Considerando a divulgação dos resultados do estudo PISA 2006/2009.

 

Considerando que começam a ser conhecidos os resultados da avaliação do 1º período do ano escolar de 2010/2011.
 
Considerando que há alunos que, independentemente, dos resultados que venham a alcançar, foram muito prejudicados pelas ausências prolongadas dos docentes e que, por isso, é necessário e urgente encontrar uma fórmula célere de compensar estes alunos.
 
Considerando que há bons e excelentes alunos cujos Pais e Encarregados de Educação fazem chegar à CONFAP preocupações/reclamações relacionadas com a avaliação que é atribuída aos seus filhos e educandos.
                              
Considerando que os alunos vêem, frequentemente, o seu 9,4 ser transformado em 9,5 e este em 10, mas o mesmo não acontece com os 17,4; 18,4 e 19,4.
                               
Considerando que há alunos que não têm 18, 19 ou 20, no 1º Período, porque “o professor não os conhece”.

Considerando que os alunos não têm 20 no 1º Período porque “o professor não dá 20 no 1º Período”.
 
Considerando que há alunos que, no acesso ao ensino superior, não entram no curso pretendido por falta de uma décima.
O Conselho Executivo da CONFAP:

 

  • Alerta para a ilegitimidade de os professores e os conselhos de docentes reterem, com as ‘justificações’ acima descritas e outras, as classificações a que os alunos têm direito, fruto, nomeadamente,  dos resultados de excelência,  sucessiva e confirmadamente alcançados nas provas prestadas ao longo do período relativamente aos conteúdos avaliados, recordando aos Pais/Encarregados de Educação que a lei lhes faculta o direito de recurso sobre a avaliação que for atribuída aos seus filhos/educandos.
  • Muito embora a Educação física seja benéfica para os jovens nesta faixa etária, a verdade é que muitos dos alunos do Ensino Secundário não têm grande destreza física. Há bons alunos, de excelência, até, os quais,  apesar do seu empenho, não conseguem obter boas classificações a Educação Física, acabando tal facto por lhes descer a media geral de acesso ao Ensino Superior.

Assim, pelas razões atrás descritas, e tendo em atenção as condições actuais de acesso ao Ensino Superior, propõe-se que as classificações obtidas em  E.F., ou não contem para a media final, ou que se estabeleçam mecanismos claros e transparentes,  que permitam o nivelamento da média de E.F. relativamente às médias das demais disciplinas. Ponderar o peso dos parâmetros de avaliação prática e teórica para não empurrar bons alunos para cursos superiores que nada lhes dizem, por terem insuficiência de média, em consequência dos resultados alcançados numa só disciplina.
 

  • É necessário e urgente que o Governo e o Ministério da Ciência e do Ensino Superior encontrem soluções, já para 2011/2012, no sentido de se acabar com as injustiças que se verificam no acesso ao Ensino Superior, nomeadamente, as diferentes exigências nas universidades públicas e privadas, garantindo, com transparência e equidade uma efectiva possibilidade de frequência das Universidades Públicas a todos os alunos e não só aos oriundos das famílias com maior capital económico, social e cultural.
  • O CE da CONFAP concorda que é a partir da frequência do Ensino Secundário, avaliado com rigor e justiça, sem escamotear as avaliações dos alunos que, como disse recentemente, o ministro Prof. Dr. Mariano Gago,  iremos ‘conseguir libertar o País da tutela das ordens profissionais na entrada das profissões é um elemento fundamental, sobretudo em período de crise económica’. Vimos, ouvimos e lemos e aqui transcrevemos, por com tal concordar: ‘o que se está a passar é uma canibalização do mercado de trabalho em torno das profissões qualificadas, em que os que estão instalados criam uma fronteira para ninguém mais entrar. Ou melhor, talvez entrem alguns privilegiados’.
  • Em relação aos alunos com resultados insuficientes e insatisfatórios, continuamos a defender que é necessário perceber as verdadeiras razões do desinteresse de alguns por aquele que é o seu trabalho – estudar. Mas, porque esses estudantes não podem, jamais, ser dispensados do seu ofício de estudante, com exigência, esforço e rigor, a CONFAP, em sede do CONSELHO NACIONAL de EDUCAÇÂO, votou contra a proposta do governo de extinguir o Estudo Acompanhado para todos os alunos e disciplinas, sem prejuízo de maior focagem do trabalho na Língua Portuguesa, Matemática e Ciências, algo que já tinha transmitido ao ME e ao Governo, por entender que essa é uma área curricular não disciplinar que melhor permite realizar aquele objectivo.


O Conselho Executivo da Confap aproveita, nesta quadra, para saudar todas as Comunidades Escolares e Educativas em geral, e os Alunos, as Mães, os Pais e Encarregados de Educação em especial. 


       
Lisboa, 22 de Dezembro de 2010

1 comentário a “POSIÇÃO da CONFAP sobre AVALIAÇÃO dos ALUNOS do ENSINO SECUNDÁRIO”

  1. À CONFAP digo o mesmo que dizia aos meus filhos e digo aos meus alunos, apesar de não ser esta a prática dos nossos dirigentes políticos, dá-se esmola a “pobres”, mas não a “ricos”. A excelência tem que o ser, não tem que ser ajudada a parecer.

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