A reacção da APEVT


… à notícia divulgada no dia 7 neste blog de um documento que me chegou ainda no dia 6.

De há algum tempo a esta parte é costume os interessados serem os últimos a saber das propostas do governo e a não terem conhecimento formal, mas neste caso parece que também informal, das materias negociais que lhe digam respeito. A Associação de Professores de EVT (APEVT) foi surpreendida com a vontade do Ministério da Educação em eliminar o par-pedagógico da disciplina de EVT tendo obtido conhecimento através da Internet e redes sociais.

Espero que a defesa da eliminação do par-pedagógico não se centre pela APEVT na questão da perda de postos de trabalho e com a denuncia economicista ao governo em reduzir os custos na educação como parece estar a ser seguido pela Fenprof. A APEVT deve procurar o seu caminho, justificando-se na especificadade do grupo disciplinar e fazendo uma abordagem histórica das várias transformações a que foi sujeita esta disciplina.

Enquanto professor de EVT estou certo que essas são as respostas necessárias de forma a desmontar esta vontade do governo que não deve ter muitos adeptos dentro do Conselho Nacional de Educação.

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15 comentários a “A reacção da APEVT”

  1. Ui, estes pares! Como se o povo não soubesse o que se passa com uma boa parte dos pares. Ora agora danças tu, ora logo danço eu. Com o País em crise alimentar uma história destas seria pior a emenda que o soneto. A APEVT faz o que lhe compete, tenta defender os seus associados, mas quem não conhece a história da carochinha?

    1. O que se passa, pode-se passar em qualquer posto de trabalho não é preciso trabalhar em pares para se poder dançar, e isso nem corresponde à realidade pois voçê deve conhecer muito mal a história da carocinha, em turmas com mais de 20 alunos por vezes 27, com alunos com dificuldades de aprendizagem em que se tem de dar apoio na sala de aula, muitas vezes nem pegar num compasso ou tesoura sabem, é preciso o apoio individualizado para os trabalhos por vezes de grandes dimensões e actividades com os mais diversos tipos de materiais, numa aula por vezes são 2.3, 4 ou mais alunos a chamarem pelo professor porque precisam de apoio prático, queria-o ver a si, realmente voçê deve ter um emprego muito calmo, e quem se dedica de corpo e alma às coisas, faz por elas, não fica sentadinho o dia todo sem ter criânças a chamar por apoio individualizado, é a isto que chamam um bom ensino, não é, despeçam os professores deixem as criânças serem ensinadas de qualquer maneira, o que interessa é poupar.

  2. Tanto também não… na verdade mesmo entre professores sempre se comentou o exagero de colocar dois professor numa sala sendo que as práticas nem sempre reflectiam entre-ajuda. Longe disso, há sempre o xico-esperto que inverte o espírito de colaboração e abusa. É uma medida que vai colher mesmo ente professores. E os agrupamentos verticais tornam evidente o ridículo, pois a comparação com os colegas do 1.º ciclo é inevitável.

    1. em qualquer trabalho há xicos-espertos, a solução não é esta, isto é uma solução para atingir um objectivo sem olhar aos meios, e comparações há sempre, pensem, pensem… não falem à toa

    2. Tanto também sim é o que vai acontecer, miséria mais miséria, abram os olhos…. ponham-se na pele dos outros. Desejo a todos o que todos me desejam amim.

  3. Lamento que pessoas como o Srº Manuel Maria tenha uma visão tão redutiva, tão mesquinha e tão injusta. É provável que seja um infeliz, lamento imenso por si Srº Manuel Maria. Pode ser que algum professor de EVT não se importe, sem qualquer custo de lhe mostrar outras formas de ver…

  4. “Será que este governo pretende passar a mensagem aos portugueses que estão a cortar nas despesas ?
    Num momento destes porque não reduzem o nº de deputados de 230 para 180 tal como está contemplado na lei ?
    Diário da República nº 28 – I série- datado de 10 de Fevereiro de 2010 – RESOLUÇÃO da Assembleia da República nº 11/2010.

    Algumas rubricas do orçamento da Assembleia da Republica

    1 – Vencimento de Deputados ………………………12 milhões 349 mil Euros
    2 – Ajudas de Custo de Deputados……………………2 milhões 724 mil Euros
    3 – Transportes de Deputados ………………………3 milhões 869 mil Euros
    4 – Deslocações e Estadas …………………………2 milhões 363 mil Euros
    5 – Assistência Técnica (??) ………………………2 milhões 948 mil Euros
    6 – Outros Trabalhos Especializados (??) ……………3 milhões 593 mil Euros
    7 – RESTAURANTE,REFEITÓRIO,CAFETARIA…………..961 mil Euros
    8 – Subvenções aos Grupos Parlamentares……………..970 mil Euros
    9 – Equipamento de Informática …………………….2 milhões 110 mil Euros
    10- Outros Investimentos (??) ……………………..2 milhões 420 mil Euros
    11- Edifícios ……………………………………2 milhões 686 mil Euros
    12- Transfer’s (??) Diversos (??)………………….13 milhões 506 mil Euros
    13- SUBVENÇÃO aos PARTIDOS na A. R. ………………16 milhões 977 mil Euros
    14- SUBVENÇÕES CAMPANHAS ELEITORAIS ….73 milhões 798 mil Euros

    Em resumo e NO TOTAL a DESPESA ORÇAMENTADA para o ANO de 2010, é : € 191 405 356,61 (191 Milhões 405 mil 356 Euros e 61 cêntimos) – Ver Folha 372 do acima identificado Diário da República nº 28 – 1ª Série -, de 10 de Fevereiro de 2010.

    Vamos lá então ver se isto agora já o começa a incomodar um “bocadinho”. Repare:

    Cada deputado, em vencimentos e encargos directos e indirectos custa ao País, cerca de 700.000 Euros por ano. Ou seja cerca de 60.000 Euros mês.

    E depois pedem sacrifícios ao povo.”

    1. Exactamente. E há colegas tão mesquinhos que ainda concordam. Pior para os filhos e netos deles.

  5. Soube há pouco que os representantes deste Sindicato se irão reunir , entre si e com o ME sobre a proposta do novo Curriculo do ensino básico. Espero que haja uma análise séria e que as conclusões tambem o sejam. É uma vergonha o que se está a fazer com o Curriculo do Ensino Básico. Entre outras medidas rídiculas, o facto de se extinguir o par pedagógico em EVT é uma medida louca. A redução de horários é grande, mas a redução de um currículo às disciplinas de Português e Matemática e pouco mais, é estupida.
    No 1º ciclo tem vindo a acabar com as expressões, têm ficado para preencher as AECs, prendendo as crianças das 8 ás 18h nas escolas enquando as mães e os pais desempregados deambulam pelos cafés ou pelos cursos de faz de conta. No 2º Ciclo as crianças chegam sem saber pegar uma tesoura, com uma caligrafia horrivel, …sem motricidade fina nenhuma, sem criatividade, sem gosto pelos trabalhos de escola. O que vai fazer um professor com uma turma de 5º ou 6º ano, a braços com problemas de crescimento que pedem atenção redobrada para os seus problemas de comunicação, de criação e de crescimento afectivo e de autonomia? Mas isto é uma turma sem crianças de Ensino Especial. Em EVT estão todos os alunos da turma, de ensino normal e de Ensino Especial com todas as alíneas, e muito bem! Pois devemos tentar integrá-los. Mas será que os vamos retirar da turma como se faz em Matemática, português ou outra disciplina qualquer? Ou vamos correr o risco de uma criança se cortar, se picar, se lambusar toda de tinta numa turma de 20 ou 24 crianças e apenas um docente na sala?
    Podemos continuar a colorir desenhos, mas isto é faltar ao respeito às crianças.
    Investir em educação não esbanjar dinheiro com obras e materiais de luxo, retirando à educação aquilo que faz falta

  6. Trabalhar em par pedagógico sempre teve dificuldades, mas feito de forma honesta é rico e permite atinjir objectivos que não se conseguiriam de outra forma e, neste momento quase todas as disciplinas tem dois professores na sala ou divisão de turma, e os alunos de EE são retirados. É pena que colegas do mesmo oficio tenham uma visão tão rude do trabalho dos colegas e das instituições em que trabalham. Quem tem 20 e tal crianças na sala com 2 de EE de Currículo Escolar Individual e 3 ou 4 com algumas alíneas de EE, sabe do que falo.

  7. Boas, também eu sou professor de EVT e sempre defendi o melhor para as minhas crianças e sempre lhe tentei proporcionar novas experiências, numa tentativa de lhe desenvolver o seu sentido estético, o gosto pelo belo aprender novas técnicas, a respeitar e interagir com o meio ambiente respeitando-o e agarrando o que ele nos dá de melhor. Cada vez mais se torna uma missão quase impossível, mas tento contraria-la. Claro que quando estou a dizer eu isto eu aquilo, obviamente que sem a cumplicidade dos meus pares pedagógicos isto jamais seria possível. Li alguns comentários que me desagradaram atrás principalmente porque aqui se vê que os professores estão numa fase em que é cada um por si. Algumas áreas estão a esfregar as mãos porque, provavelmente pensam que as horas de AP ou EA vão para eles, desenganem-se, a ideia é poupar não melhorar o ensino. E quanto ao “quem semeia ventos colhe tempestades” concordo que pontualmente haja esses casos, a diferença é que toda a gente sabe porque está lá outro colega e saber trabalhar em para pedagógico não é uma qualidade que esteja ao alcance de todos, isso nota-se quando em AP se encontravam um prof de EVT e outro de outra área, estavam sempre à espera que o de EVT desse o pontapé de partida, pelo menos isso aconteceu-me várias vezes, não é que visse algum mal nisso acho que era natural. Não queria terminar sem deixar de mostrar tristeza pelos comentários infelizes de pessoas que provavelmente vendem aulas e dizer que todos temos telhados de vidro em EVT só é mais fácil saber se o colega A ou B é bom ou mau profissional porque são dois, ao passo que em outras áreas às vezes não se sabes o que vai lá dentro. Por vezes para os alunos os professores “porreiros são aqueles que os deixam fazer o que eles querem. Aos meus colegas deixo as minhas desculpas se toquei na ferida e doeu. A profissionais desejo que esta pouca vergonha de reestruturação curricular não vá para a frente, porque o futuro é-me bastante apreensivo, não por mim, pois tenho 32 anos, 11 de serviço, fico triste e revoltado por ir para a rua e hei-de desenrascar-me de alguma forma, fome não vou passar, vou cultivar as terras dos meus pais porque a minha o banco provavelmente se irá apropriar dela, mas a continuar assim a geração de alunos que temos agora quando chegar a altura de nos governar será um desastre não haverá FMI que nos salve.

  8. Esta medida é uma vergonha. O exemplo de trabalhar a par pedgógico, deveria ser um exemplo a seguir para as outras disciplinas,uma vez que temos o ensino de inclusão, e as turmas continuam com um número elevado de alunos. Cada aluno é um problema e cada caso é um caso tempos vão que os alunos estavam calmos e dava tempo para o professor ouvvir os seus alunos. Hoje os problemas sociais cada vez mais, e as crianças vítimas de tantos males dos adultos. O problema maior neste País e no Mundo são os ADULTOS, mas não todos, ainda há gente sensivel.

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