Lá vem a treta da exclusividade outra vez


Primeiro foi MLR que tentou na primeira versão do ECD, por volta de 2005, colocar os professores em regime de exclusividade, agora o PS contínua com a saga.

Das audiências efectuadas em sede da Comissão eventual para o acompanhamento político do fenómeno da corrupção e para a análise integrada de soluções com vista ao seu combate resulta a conveniência de reforçar o princípio já hoje consagrado no artigo 26º da Lei 12-A/2008, qual seja o de que as funções públicas devem ser exercidas em regime de exclusividade. 

Assim, onde antes se lia que a acumulação era a regra, comportando excepções, passar-se-á a percepcionar que a exclusividade é que é a regra, admitindo, porém, excepções que se justificarão sempre à luz do interesse público. 

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9 comentários a “Lá vem a treta da exclusividade outra vez”

  1. Concordo em absoluto. Um dos maiores problemas do ensino resulta da rebaldaria que a não exclusividade permite. Como é possível que um professor queira contribuir para o bom funcionamento da Escola Pública se em simultâneo dá aulas no privado ou tem um negóciozito qualquer? Claro que do conflito de interesse resulta prejuízo para o serviço público.

    1. Isso depende da capacidade de trabalho e da fase da vida de cada um. Conheci médicos brilhantes que trabalhavam no público e no privado e que em qualquer das situações eram melhores do que muitos em exclusividade. Além disso não me parece sequer que haja tantos professores a acumular empregos. Em trinta anos de ensino conheci muito poucos. Durante uns 4 ou 5 anos eu dei aulas numa outra instituição (que não tinha nada a ver com o nível que leccionava no público), fiz cadeiras de pós -graduação na faculdade e o meu trabalho no público até foi melhor.Porque a interligação entre as várias áreas era enriquecedora. São fases da vida. Hoje não o faria, porque ando cansada. Mas não devemos condenar quem o faz,acho eu.

  2. Pois, tudo bem, mas isso nada tira ao facto da não exclusividade como regra ser uma grande treta. Uma treta até ofensiva para os que se dedicam em exclusividade. Passei por diversas Escolas e tive oportunidade de verificar que o conflito de interesses que resulta dessa promiscuidade não conduz a nada de bom, nem para os alunos, nem para os colegas. Conheci até alguns especializados na arte das explicações a quem convinha dar uma notitas mais baixas. Pois…

    1. E eu conheci professores que davam explicações e que conseguiram colmatar lacunas que na prática a escola pública não conseguia. Ou tem dúvidas sobre a insuficiência da escola pública com alunos muito atrasados na aquisição de conhecimentos?
      Tem é de haver honestidade, sentido ético da profissão,uma deontologia que pode não estar explícita na lei (não sei), mas que esses professores sabem praticar.

      1. Não percebi ! Sentido deontológico de quem?Dos professores que não estão em regime de exclusividade e que dão explicações?
        Considero também que esta é uma situação de grande promiscuidade.Alunos “atrasados na aquisição de cnhecimentos”? E qual o apoio individualizado e diferenciado lhes é prestado em contexto de sala de aula pelos preofessores que dão explicações?

  3. Votação na Reunião Plenária nº. 48
    Aprovado
    A Favor: PS, BE, PEV
    Abstenção: PSD, CDS-PP, PCP

    Estranho é o PCP se abster e o PEV votar a favor!

  4. ola.

    eu sou professora e explicadora. e nunca dei notas mais baixas para levar os alunos a precisarem de “apoio” fora da aula. a promiscuidade de que falam n é excluiva da profissão. há bons e maus professores, como noutros empregos. não deixa de ser verdade que seria optimo poder estar numa só escola, dedicar-me completa e exclusivamente a esses alunos. porem, em 7 anos de ensino, nunca tive 1 hor completo. andei sempre a saltar de escola em escola, mais do que uma por ano…e sem as tao mal faladas explicações, muitos dos alunos com quem trabalhei n teriam conseguido chegar lá…porque é mt bonito falar em “apoio diferenciado e individualizado em sala de aula” mas onde é que turmas de quase 30 alunos permitem que isso se faça…
    considero-me uma boa profissional, tanto no ensino como nas “aulas particulares” como lhe chama os franceses e sei que, pelo menos comigo, há uma complementaridade muito proficua entre as 2 áreas…
    mas é claro que sou a favor da exclusividade, desde que traga estabilidade e seja paga como tal…

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