Uma nova carreira docente


Parece meio a brincar, mas não é. A Senhora que em tempos disse que trabalhava rápido prepara-se para nos próximos dias entregar aos sindicatos a versão definitiva do ECD. Como sempre previ o documento deverá entrar em vigor no final do ano lectivo. A aposta agora é saber se o diploma ficará publicado antes do dia 25 de Junho ou não, eu aponto para a semana de 14 a 17 de Junho como data de publicação do novo ECD, talvez me engane e ainda apareçam nas escolas os calendários para a entrega facultativa dos objectivos individuais e os pedidos das aulas assistidas. Uma coisa é certa, esses documentos vão aparecer ainda este ano lectivo visto o ciclo avaliativo ser por dois anos, não se espantem.

Depois de uma aberração de estatuto acabar por desaparecer por imposição da oposição (parece que a sua dona teima em continuar por ai) vai surgir um novo estatuto que também não é do meu agrado.

Por um lado tenho alguma preferência por um tipo de carreira vertical, por outro lado também sei que uma carreira vertical serve alguns (e quase nunca os melhores) na ascensão aos patamares hierarquizados.

O tipo de carreira que defendo assenta numa hieraquização de funções mas numa carreira horizontal.

Como eu estruturaria essa carreira?

Em primeiro lugar, elevava o índice de entrada na carreira ao mesmo tempo que reduzia os índices de topo.

Algo como: 1º escalão, índice 200; 2º escalão, índice 225; 3º escalão, 250; 4º escalão, 275 e 5º escalão, 300.

Uma estrutura deste género permitia basicamente ao longo de toda a carreira auferir o mesmo que na estrutura actual e desapareciam as enormes diferenças entre o início e o fim da carreira. Lembro-me de alguém dizer que era inadmissível existir uma diferença tão grande entre o início e o fim da carreira. Pois é, mas foi a mesma pessoa que tornou essa diferença ainda maior.

Que duração deveriam ter esses escalões?

Entre seis e oito anos. Estes são daqueles pormenores que ficam sempre para alguém que lide com as finanças.

E enquanto contratado qual o índice de vencimento?

Acho que enquanto contratado deveria ser possível aceder a diferentes níveis remuneratórios. Tipo; os primeiros cinco anos de contrato receberiam pelo índice 151, os segundos cinco pelo 167, e entre os 10 e os 15 anos pelo índice 188.

E como criar as categorias hierarquizadas nesta estrutura horizontal?

Só reconheço duas funções hierarquizadas nas escolas, o cargo de coordenador de departamento e o cargo de Director ou Presidente da escola. Independentemente do tempo de serviço de um e de outro estes cargos devem ser reconhecidos num patamar remuneratório superior. Assim o índice 340 seria o valor monetário a receber por todos os coordenadores de departamento (eleitos através de concurso interno) e o índice 370 seria o vencimento do “chefe supremo” (eleito através de concurso).

No fim deste exercício que serve apenas como referência inicial a qualquer coisa que poderá surgir de forma mais estruturada até seria possível conviver com dois tipos de carreiras e que cada um optasse por aquela que mais lhe conviesse sem possibilidade de mudança.

Um dia mais tarde poderei voltar a pensar nesta ideia.

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7 comentários a “Uma nova carreira docente”

  1. Pois é, vem aí a lixadela para os mais novos. O Nogueira com aquele paleio que ele tão bem sabe cantar entalou os novatos, atirando-os para as barreiras dos 3.º e 5.º escalões (8 anos de calvário) e promoveu sindicalistas e bachareis (estes eram os entalados de Maria de Lurdes Rodrigues). Com o acordo fez-se justiça? Não tarda teremos a prova estampada em Lei. E agora não adianta queixarem-se… como diria o outro: é a vida. Quem os mandou estudarem para além de um bacharelato? Quem os mandou darem tantas aulas em vez de optarem pela digna carreira de sindicalistas?

    1. Realmente esta luta de professores, foi uma luta de sindicalistas, porque a única novidade foi a promoção de bacharéis, ou melhor equiparados a bacharéis (5.os anos das antigas escolas comerciais). É este o país que temos!. Espanta-me que a sra ministra ainda não se tenha apercebido do logro em que caiu. Então, entala os jovens com licenciaturas e mestrados, nos escalões mais baixos da carreira e promove ao topo estes professores que se recusaram permanente a valorizar a sua careira. Fomos enganados e caí-mos no engodo da luta que afinal era só deles (sindicalistas).

  2. Também não és nada meigo… e ainda assumes a possibilidade de nunca integrar um quadro, a não ser por contrato.

    Mas, verdade verdadinha, é que no meio de tanta loucura e disparate que se tem ouvido, até nem soa mal.

  3. Falta explorar a questão do tempo de serviço enquanto contratado contar para a integração no respectivo índice do quadro.

    Não tem lógica que enquanto contratado se receba sempre pelo mesmo índice.
    Deve existir diferenciação e possivelmente uma obrigatoriedade de ao fim de determinado tempo de serviço ser possível entar em quadro nem que seja provisório.

    Nos tempos actuais e em função dos cálculos para a aposentação desapareceu a lógica de no fim da carreira se ter um vencimento tão elevado em contraste com o início da carreira.

    1. Sendo assim, que lógica existe em que haja duas “carreiras” distintas? Parece-me uma questão meramente economicista, que, até mesmo por sugestão tua, seria em grande parte sanada pela abolição dos extremos distantes em termos de vencimentos… o que dizes só faria sentido numa perspectiva de transição até chegarmos ao ponto de “extinguirmos” os contratados enquanto norma passando a ser regime de excepção, que seria exactamente o contrário do que tem sido feito até aos dias de hoje.

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