A propósito do Carolina Michaelis

A notícia do dia de ontem sobre o acontecimento na Escola Secundária Carolina Michaelis, fez-me recuar uns anos no tempo, enquanto era jovem e do pouco tempo que passei nessa escola.

O meu 12º ano foi feito no Carolina Michaelis (1987-88), não foi fácil nessa época, depois de 2 anos no Rodrigues de Freitas, fazer uma passagem para a escola em frente. Isto porque a Secundária Carolina Michaelis foi uma escola feminina até 1979, enquanto que o Rodrigues de Freitas era frequentada pelo “machões” da cidade.

Meia dúzia de anos após o fim do domínio feminino desse liceu, imaginam como foi a dificuldade em lidar com o sexo oposto. Parece que ainda hoje o elemento feminino domina por essas bandas.

Outro lembrança que me ocorreu foi a consciencialização da minha personalidade da época. Quero referir que usava na época uns trajes um tanto ou quanto estranhos, era detentor de um moicano, e frequentava os locais mais hardcore da altura.

Bandas como os “cagalhões”, “cães, a morte e o desejo” e os “badalhocos” eram fonte de inspiração diária do intenso ritmo punk dessa época no Porto.

Esta geração “estranha” como muitos a viram era possuidora de valores e ideais próprios e dificilmente se encontrava perante actos de vandalismo desta estranheza.

Não quero fazer uma distinção de gerações diminuindo a geranção actual, porque todas elas são marcantes da mentalidade de toda uma sociedade. Se a geração actual está mal preparada isto deve-se ao facto de os adultos a prepararem mal. Políticas de facilitismo na educação em contraponto com a imensa dificuldade da vida real levará a uma nova geração perdida e que dificilmente se voltará a encontrar.